Saúde

Ronco frequente pode alertar para apneia do sono, explica especialista

Otorrinolaringologista do HOPE orienta investigação médica e destaca opções de tratamento

Equipe Corrivus
Publicado em 09/09/2026, às 08h04

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Resumo da matéria

A médica explica que o ronco frequente pode ser sinal de apneia obstrutiva do sono, condição que pode trazer consequências cardiovasculares a longo prazo. A polissonografia é o exame padrão ouro para diagnóstico. O tratamento é individualizado e pode incluir mudanças no estilo de vida, fonoaudiologia, aparelhos intraorais, cirurgias e equipamentos para manter a via aérea aberta.

Ronco frequente pode alertar para apneia do sono, explica especialista

Ronco frequente pode ser sinal de apneia obstrutiva do sono e deve ser investigado, especialmente quando acompanhado de sonolência diurna e cansaço. Crédito: Ilustração

A apneia obstrutiva do sono é caracterizada por episódios repetidos de redução ou interrupção da respiração durante a noite. O ronco, provocado pela passagem do ar por uma via aérea estreitada, pode ser um sinal de alerta para essa condição quando se torna frequente. A otorrinolaringologista Dra. Raquel Rodrigues, do HOPE, ressalta que investigar o ronco é fundamental, especialmente quando vem acompanhado de sonolência durante o dia e cansaço.

Durante o sono, a musculatura da via aérea relaxa naturalmente. Em algumas pessoas, esse relaxamento é maior e provoca um estreitamento que dificulta a passagem do ar. Fatores como envelhecimento, características anatômicas, genética, sobrepeso, obesidade e sedentarismo podem contribuir para o surgimento da apneia do sono. O ronco eventual, por outro lado, pode ocorrer durante uma gripe ou outro quadro de obstrução nasal temporária.

A apneia do sono pode estar associada a maior risco de hipertensão arterial, acidente vascular cerebral, arritmias e infarto. O risco cardiovascular aumenta especialmente quando a apneia se soma a outros fatores de risco, como diabetes e obesidade. Segundo a Dra. Raquel Rodrigues, as consequências cardiovasculares geralmente acontecem a médio e longo prazo. Durante a noite, o organismo deveria estar em repouso, mas com a apneia e a redução da oxigenação o corpo precisa trabalhar mais, o que pode aumentar a sobrecarga sobre o sistema cardiovascular ao longo do tempo.

A polissonografia é considerada padrão ouro para o diagnóstico dos distúrbios respiratórios do sono. O exame permite quantificar eventos de apneia e hipopneia — a redução parcial da respiração —, avaliar a oxigenação e, dependendo do tipo, analisar batimento cardíaco e atividade cerebral durante o sono. Com essas informações, é possível confirmar o diagnóstico e classificar o quadro como leve, moderado ou grave. Existem diferentes tipos de polissonografia: alguns são realizados em laboratório do sono com monitoramento mais completo, enquanto outros podem ser feitos em casa com equipamentos específicos. A indicação do tipo adequado é definida conforme a suspeita clínica e as características de cada paciente.

É comum a pessoa dizer que dorme em qualquer lugar, mas isso pode esconder sonolência excessiva. Dormir facilmente enquanto assiste à televisão ou lê pode não representar apenas facilidade para pegar no sono. Quando o sono noturno não tem qualidade, a consequência aparece no dia seguinte. A pessoa pode ter sono fragmentado e não alcançar adequadamente os estágios mais profundos e reparadores do sono, permanecendo mais tempo em fases superficiais. Uma noite de sono sem qualidade pode afetar o metabolismo, a glicose, o colesterol, a memória, a cognição e o humor. Alterações de humor, irritabilidade, dificuldade de concentração e falhas de memória podem estar relacionadas a uma noite mal dormida.

O tratamento da apneia é individualizado e pode incluir mudanças no estilo de vida, uso de equipamento que auxilia na manutenção da via aérea aberta durante o sono, aparelhos intraorais, fonoaudiologia e cirurgias. A Dra. Raquel Rodrigues orienta que ter peso adequado, praticar atividade física regularmente, não fumar e evitar consumo de bebida alcoólica são medidas importantes para o controle da apneia e para a saúde cardiovascular. O diagnóstico e o acompanhamento adequado permitem controlar a condição e reduzir os impactos na saúde ao longo do tempo, inclusive no sistema cardiovascular. A intensidade do ronco não indica a gravidade da apneia, e a investigação médica é fundamental.

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