Penetrografia ajuda Recife a avaliar saúde de árvores urbanas
Emlurb realiza avaliações de risco, podas e plantios; cidade conta com comissão de tombamento.
Resumo da matéria
A Prefeitura do Recife, por meio da Emlurb, utiliza tecnologia, acompanhamento técnico e manutenção preventiva para cuidar da arborização urbana. Em 2025, foram plantadas 1.963 mudas e realizadas 1.562 supressões. Entre 2021 e 2025, foram contabilizados 235.294 serviços de poda. Para 2026, projeta-se 34.555 serviços até setembro, totalizando aproximadamente 269,8 mil intervenções de 2021 a setembro de 2026. A cidade conta com a Comissão de Árvores Tombáveis, que analisa exemplares de relevância histórica, ambiental, paisagística ou afetiva. Solicitações de avaliação podem ser feitas pela Central 156 ou Conecta Recife.
Recife utiliza avaliações técnicas e equipamentos como a penetrografia para identificar condições estruturais das árvores e definir o manejo adequado. Crédito: Hélia Scheppa/Prefeitura do Recife
A Prefeitura do Recife utiliza tecnologia, acompanhamento técnico e manutenção preventiva para cuidar da arborização urbana. O trabalho preventivo é realizado diariamente na cidade, com vistorias que seguem critérios técnicos de avaliação de risco.
A Autarquia de Manutenção e Limpeza Urbana do Recife (Emlurb) realiza avaliações progressivas de risco das árvores. O primeiro nível é uma inspeção visual para identificar problemas evidentes, como cavidades, inclinações, raízes comprometidas, galhos secos, fissuras, sinais de deterioração e alterações no entorno. Quando necessário, é feita uma análise mais detalhada de todo o exemplar, incluindo raízes aparentes, colo, tronco e copa.
Nos casos que exigem investigação mais aprofundada, os técnicos podem recorrer a equipamentos especializados. A penetrografia, por exemplo, realiza perfuração de pequeno diâmetro e mede a resistência encontrada no interior da madeira, ajudando a identificar perda de densidade, cavidades, biodeterioração e regiões estruturalmente comprometidas. O diagnóstico é associado à inspeção visual, ao histórico do exemplar, à espécie e às condições existentes ao redor antes da definição do manejo.
O engenheiro florestal e gerente de Arborização da Emlurb, João Victor França, afirma que o trabalho é sempre avaliar tecnicamente cada exemplar antes de qualquer decisão. Segundo ele, a tecnologia permite identificar problemas que muitas vezes não aparecem a olho nu e escolher o manejo mais adequado, buscando preservar a árvore sempre que houver condições. Nem todo problema identificado significa que a árvore precisará ser removida: dependendo do diagnóstico, o manejo pode envolver poda ou outras medidas de conservação.
Entre 2021 e 2025, foram contabilizados 235.294 serviços de poda, e a projeção para janeiro a setembro de 2026 é de 34.555 serviços, totalizando aproximadamente 269,8 mil intervenções no período. A poda técnica permite retirar galhos secos ou danificados, adequar copas, melhorar circulação e visibilidade e reduzir conflitos com infraestrutura urbana. Em 2025, a Emlurb realizou o plantio de 1.963 mudas e 1.562 supressões, o que representa um saldo positivo de aproximadamente 25% entre exemplares plantados e retirados, considerando apenas as ações da autarquia.
O Recife conta com exemplares históricos e árvores protegidas, incluindo presença marcante de baobás e uma relação com a arborização refletida em bairros como Cajueiro, Coqueiral, Córrego do Jenipapo, Guabiraba, Jaqueira, Mangueira, Mangabeira, Pau-Ferro e Tamarineira. O cajueiro é a árvore oficial da cidade, instituída pela Lei Municipal nº 14.571/1983, sendo uma espécie nativa e associada à paisagem nordestina.
O município também possui a Comissão de Árvores Tombáveis, responsável por analisar exemplares de relevância histórica, ambiental, paisagística ou afetiva. O tombamento é uma ferramenta de proteção que pode tornar determinadas árvores imunes ao corte, funcionando como forma de garantir que árvores consideradas especiais permaneçam protegidas ao longo do tempo. O processo passa por avaliação técnica, considerando características do exemplar e relevância para o local.
João Victor França destaca que existem árvores que ultrapassam sua função ambiental e passam a fazer parte da história e da relação afetiva das pessoas com determinados lugares. Para ele, o tombamento é uma forma de reconhecer esse valor e garantir proteção diferenciada para que esses exemplares continuem fazendo parte da paisagem e da memória do Recife.
As solicitações para avaliação de árvores em áreas públicas podem ser feitas pela Central 156 ou pelo Conecta Recife. A partir do chamado, equipes técnicas avaliam a situação e definem o procedimento adequado para cada exemplar. A celebração do Dia da Árvore ocorre em 21 de setembro.