Cotidiano

Monitoramento de tubarões é retomado no litoral de Pernambuco após 11 anos

Projeto Ecotuba, coordenado pela UFRPE, prevê expedições e marcação de até 50 animais.

Equipe Corrivus
Publicado em 05/09/2026, às 22h16

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Resumo da matéria

O Governo de Pernambuco retomou o monitoramento científico de tubarões no litoral da Região Metropolitana do Recife, paralisado há 11 anos. Coordenado pela UFRPE, o Projeto Ecotuba terá duração de 24 meses e receberá investimento total de R$ 2.052 milhões. As primeiras expedições estão previstas até terça-feira (8), com equipe de seis pesquisadores. Os animais capturados serão marcados com etiqueta externa e microchip interno. A expectativa é marcar até 50 tubarões. O projeto também atuará com educação ambiental e ciência cidadã.

Monitoramento de tubarões é retomado no litoral de Pernambuco após 11 anos

Projeto Ecotuba retoma o monitoramento científico de tubarões no litoral da Região Metropolitana do Recife. Crédito: Ed Machado

O Governo de Pernambuco, por meio da Secretaria de Meio Ambiente, Sustentabilidade e de Fernando de Noronha (Semas), retomou o monitoramento científico de tubarões no litoral da Região Metropolitana do Recife (RMR). A iniciativa ocorre após 11 anos de paralisação das atividades na área. Atualmente, o monitoramento contínuo desses animais acontece apenas no Arquipélago de Fernando de Noronha.

O trabalho é coordenado pela Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), com atuação do Departamento de Pesca e Aquicultura (DEPAq). O projeto, denominado Ecotuba, tem duração prevista de 24 meses e recebe investimento total de R$ 2.052 milhões. Os recursos incluem R$ 1.052 milhão da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação de Pernambuco (Secti), por meio da Fundação de Amparo à Ciência e Tecnologia do Estado de Pernambuco (Facepe), e R$ 1 milhão do Fundo Estadual de Meio Ambiente (Fema).

As primeiras expedições do projeto ocorrem até terça-feira (8), no litoral da RMR, com equipe de embarque composta por seis pesquisadores. Antes dessas saídas, houve uma saída piloto para testar equipamento, embarcação e metodologia. A secretária executiva do Comitê Estadual de Monitoramento de Incidentes com Tubarões (Cemit), Danise Alves, relatou que a saída piloto permitiu avaliar esses itens e fazer ajustes para as próximas expedições.

O professor e pesquisador do projeto Ecotuba, Paulo Oliveira, explicou que a retomada do monitoramento visa entender a ecologia e a biologia dos tubarões. A partir dos resultados, o objetivo é obter subsídios para minimizar incidentes entre tubarões e seres humanos.

Os tubarões serão capturados com técnica de pesca com espinhel, linha com anzóis presos a cabos resistentes às mordidas de grandes predadores e iscas de peixes. Os procedimentos a bordo da embarcação seguem normas do Comitê de Ética no Uso de Animais (Ceua). Durante o manejo, os olhos dos animais serão cobertos com tecido escuro para reduzir estresse, e o anzol será retirado após essa cobertura.

Entre os procedimentos estão a coleta de amostras de sangue e tecido para análises genéticas e biomonitoramento, medição do comprimento corpóreo, identificação do sexo e ultrassonografia em fêmeas para avaliação do estágio reprodutivo. Também serão coletadas informações ambientais e atmosféricas, como turbidez e salinidade da água, temperatura da superfície do mar, direção dos ventos e direção das correntes.

Cada tubarão capturado receberá uma marca externa (tag ou etiqueta de marcação individual) com informações de contato do projeto, fixada na base da primeira nadadeira dorsal. Além disso, os animais receberão um transmissor interno (microchip) implantado por cirurgia na região ventral. A expectativa é marcar até 50 tubarões, com preferência pelas espécies tubarão-tigre (Galeocerdo cuvier) e tubarão-cabeça-chata (Carcharhinus leucas).

O projeto busca ampliar o conhecimento sobre os tubarões, com geração de dados sobre distribuição, comportamento, padrões de ocorrência e conectividade entre ambientes marinhos. Essas informações subsidiarão ações de conservação, educação, gestão costeira, prevenção de incidentes e segurança aquática. O Ecotuba também atuará com ações de educação ambiental e ciência cidadã.

O monitoramento em Fernando de Noronha é coordenado pela UFRPE e tem apoio do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), do Governo de Pernambuco por meio da Administração da Ilha e da Econoronha.

O secretário em exercício de Meio Ambiente, Sustentabilidade e de Fernando de Noronha, Gustavo Pereira, avaliou que o monitoramento representa cuidado com o meio ambiente e com a segurança da população. Ele afirmou que investir em ciência e ampliar o conhecimento sobre os tubarões fortalece ações de conservação e constrói estratégias cada vez mais eficientes para o litoral pernambucano.

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