Saúde

Falta de higiene e maus hábitos no uso de lentes podem causar sequelas irreversíveis

Setembro Safira reforça a importância de cuidados com higiene e manuseio para evitar contaminação e lesões na córnea.

Equipe Corrivus
Publicado em 09/09/2026, às 15h08

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Resumo da matéria

Especialistas alertam que a falta de higiene e maus hábitos no uso de lentes de contato continuam sendo as principais causas de contaminação, úlceras e sequelas irreversíveis. Jeronimo Almeida, de 50 anos, que usa lentes desde os 15, acumulou histórico de hábitos perigosos e desenvolveu irritações, dores e lesões na córnea. A oftalmologista Alzira Lins condicionou a continuidade do tratamento à obediência às orientações. Adriana Krym, também oftalmologista, reforça os cuidados necessários, como lavar as mãos, usar produtos específicos e higienizar lente e estojo. A Sociedade Brasileira de Oftalmologia recomenda higiene, descarte e acompanhamento. O mês Setembro Safira é dedicado à conscientização sobre o uso correto.

Falta de higiene e maus hábitos no uso de lentes podem causar sequelas irreversíveis

Setembro Safira alerta para os riscos do uso inadequado de lentes de contato, que pode causar infecções, lesões na córnea e sequelas graves. Crédito: Magnific

O uso de lentes de contato vem ganhando novos adeptos diariamente, mas a falta de higiene e os maus hábitos continuam sendo as principais causas de contaminação, úlceras e sequelas irreversíveis na visão, alertam especialistas. Em setembro, o mês de conscientização sobre o uso correto desses dispositivos, conhecido como Setembro Safira, reforça a importância de seguir as recomendações para evitar complicações.

Jeronimo Almeida, servidor público de 50 anos que usa lentes desde os 15 anos, é um exemplo de como comportamentos inadequados podem levar a sérios problemas. Inicialmente motivado pela vaidade e pelo desejo de deixar de usar óculos, ele acumulou um histórico de hábitos perigosos, como improvisar formas inadequadas de higienizar as lentes e não seguir as orientações recebidas.

Essa conduta resultou em irritações, dores e lesões na córnea, causadas pelo uso de lentes sujas e danificadas. Jeronimo relata que a oftalmologista Alzira Lins, que o acompanha no Instituto de Olhos Recife, foi firme ao alertá-lo de que ele estava colocando a córnea em risco e que, se não seguisse corretamente as orientações, poderia chegar a um quadro sem tratamento e com sequelas.

Após perceber que havia passado dos limites, Jeronimo passou a obedecer todas as orientações, sem improvisos ou invenções. Ele conta que a médica o alertou sobre a possibilidade de ficar sem tratamento e com sequelas caso não mudasse o comportamento.

De acordo com Adriana Krym, oftalmologista do Instituto de Olhos Recife (IOR), o comportamento imprudente no uso de lentes ainda é bastante comum nos consultórios. Entre os erros mais frequentes estão dormir com as lentes, mesmo durante um breve repouso, desrespeitar a quantidade máxima de horas diárias de uso e os prazos de descarte indicados pelo fabricante.

Dormir com lentes reduz a oxigenação da córnea, o que pode causar descamação, infecções, lesões graves e até úlceras com cicatrizes permanentes, que em alguns casos exigem transplante. A negligência na higiene pode levar ao risco de cegueira.

A médica Alzira Lins reforça a proibição de dormir ou cochilar com lentes e explica que é impossível que elas caiam atrás do olho, pois existe uma membrana que separa o fundo de saco das pálpebras e forra o branco do olho junto às pálpebras.

O empréstimo de lentes coloridas, prática cada vez mais comum entre amigos e familiares, é considerado perigoso pelos especialistas. Além de transmitir bactérias diretamente de um olho para o outro, cada lente exige uma curvatura específica para cada formato de olho, o que torna o compartilhamento inadequado.

Alzira Lins alerta que nunca se deve emprestar lente, e Adriana Krym explica que o principal risco é a contaminação da lente, que pode levar a infecções oculares potencialmente graves, além de embaçamento visual e menor durabilidade do material.

Para um uso seguro, a Sociedade Brasileira de Oftalmologia (SBO) recomenda cuidados com higiene, descarte e acompanhamento oftalmológico regular. É essencial lavar as mãos antes de manusear as lentes, usar produtos específicos para cada material, higienizar as lentes antes de guardá-las e antes de colocá-las, trocar a solução de armazenamento das lentes gelatinosas e higienizar o estojo periodicamente.

Algumas situações exigem atenção especial. Se uma lente gelatinosa cair no chão, o ideal é descartá-la. Já as lentes rígidas devem passar por assepsia completa com produto específico antes de serem reutilizadas. Usuários devem alternar o uso de lentes com óculos e fazer acompanhamento regular para identificar alterações na superfície ocular.

Pessoas com diabetes descontrolada, olho muito seco, doenças autoimunes que causam ressecamento ou profissionais expostos a poeira e vapores são contraindicadas para o uso de lentes de contato.

A fixação constante em telas também merece cautela, pois diminui o piscar e reduz drasticamente a hidratação das lentes, ressecando os olhos. Lentes gelatinosas demandam cerca de 35% a 40% de água na lágrima para manter o conforto.

Sinais de alerta como desconforto, sensação de corpo estranho, irritação (hiperemia), visão embaçada e intolerância ao uso indicam a necessidade de procurar um oftalmologista. O uso seguro de lentes de contato exige correta higiene, desinfecção e acompanhamento profissional.

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