Disciplina Recife Cidade Parque iniciou expansão para a rede privada em 2026
Nova etapa começou no segundo semestre; Instituto Capibaribe foi o primeiro colégio particular a adotar a disciplina de educação ambiental e urbana.
Resumo da matéria
Estudantes do Instituto Capibaribe participarão de aula de campo no Parque das Graças nesta segunda-feira (19), a partir das 14h. A atividade integra a disciplina eletiva Recife Cidade Parque, parceria entre a Prefeitura do Recife e a UFPE. Primeiro colégio particular a adotar a disciplina, o instituto oferece aos estudantes dos 7º anos encontros teóricos, oficinas e atividades de campo voltados à realidade urbana e ambiental.
A disciplina Recife Cidade Parque alia educação ambiental e urbana a aulas teóricas, oficinas e atividades de campo. Crédito: Adriano Rodrigo/RCP
Estudantes do Instituto Capibaribe participarão de uma aula de campo no Parque das Graças nesta segunda-feira (19), a partir das 14h, como parte da disciplina eletiva Recife Cidade Parque. Durante a atividade, poderão observar aspectos da paisagem urbana e conhecer conceitos do projeto, que busca aproximar as novas gerações das discussões sobre a relação entre cidade e natureza.
A disciplina é uma parceria entre a Prefeitura do Recife e a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e se destina a estudantes dos anos finais do Ensino Fundamental. O Instituto Capibaribe foi o primeiro colégio particular a adotá-la. Na instituição, alunos dos 7º anos participam de encontros teóricos, oficinas e atividades de campo em parques do Recife, com acompanhamento de pesquisadores do projeto nas vivências.
A iniciativa começou em 2024, com um projeto-piloto na Escola Municipal Nilo Pereira, em Casa Amarela. Os resultados possibilitaram a ampliação da proposta. Em 2025, o projeto avançou para a formação de professores de Geografia da Rede Municipal de Ensino e para a implantação da disciplina eletiva nas escolas integrais de Anos Finais da rede pública. No segundo semestre de 2026, teve início uma nova etapa de expansão para a rede privada.
Com abordagem prática e participativa da educação ambiental e urbana, a disciplina utiliza aulas teóricas, dinâmicas, oficinas e atividades de campo. As vivências relacionam os conteúdos trabalhados em sala às características dos espaços públicos e estimulam os alunos a observar o território onde vivem, refletindo sobre rios, áreas verdes, mobilidade, espaços públicos, urbanização, mudanças climáticas e qualidade de vida.
A metodologia tem como referência a Aprendizagem Criativa, desenvolvida pelo pesquisador Mitchel Resnick, que valoriza imaginar, criar, brincar, compartilhar e refletir. A proposta incentiva os estudantes a assumir um papel ativo na aprendizagem, formular perguntas, experimentar ideias e construir conhecimentos a partir de suas experiências e observações.
Ao levar esses temas às escolas, a iniciativa busca ampliar a consciência ambiental e desenvolver o pensamento crítico de crianças e adolescentes. Também procura mostrar possibilidades de participação na construção de soluções para um Recife mais inclusivo, saudável, resiliente, sustentável e preparado para os impactos das mudanças climáticas. Nessa proposta, a educação é considerada fundamental para aproximar a população das discussões sobre planejamento e transformação da cidade.
Deborah Echeverria, coordenadora do eixo de Comunicação do Recife Cidade Parque e uma das idealizadoras da disciplina, explica que a proposta estimula os estudantes a conhecer o passado e o presente da cidade, imaginar seu futuro e reconhecer a própria possibilidade de participar de soluções para problemas urbanos e ambientais.
Na avaliação de Deborah, as maiores causas do aquecimento global têm origem nas cidades, e enfrentar os desafios ambientais exige mudar a forma de viver no ambiente urbano. Ela defende que o Recife precisa se reinventar com a participação de todas e todos.
A disciplina integra o projeto de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação Recife Cidade Parque - Plano de Qualidade da Paisagem. Com mais de 100 pesquisadores, o projeto reúne estudos e ações em três grandes eixos: Paisagem, Infraestrutura e Oceanografia. A parceria entre a Prefeitura e a UFPE articula pesquisa, planejamento e ações educativas na busca de soluções urbanas e ambientais, com atenção aos efeitos das mudanças climáticas e à qualidade de vida da população.
A proposta de cidade-parque prevê um Recife mais conectado à natureza, estruturado por uma rede azul-verde formada pelos rios Capibaribe, Beberibe e Tejipió, pela frente marinha, por parques, áreas verdes e corredores ambientais. Entre as estratégias estudadas estão a recuperação da vegetação, a ampliação das superfícies permeáveis, a melhoria do escoamento das águas pluviais, a criação de áreas mais frescas e a valorização de diferentes formas de mobilidade.
A disciplina está alinhada ao objetivo do projeto de contribuir para transformar a capital pernambucana em cidade-parque até 2037, quando o Recife completará 500 anos.