Declaração científica diz que alterações cardiovasculares não impedem prática esportiva, com avaliação adequada
AHA e ACC publicaram declaração em 2025; prática pode ser possível após análise de risco e acompanhamento
Resumo da matéria
Em declaração científica de 2025, AHA e ACC afirmam que alterações cardiovasculares nem sempre exigem abandono de esportes; a prática pode ser possível após avaliação individual do risco. Dados mostram aumento no número de provas de corrida no Brasil e em Pernambuco, e cardiologista orienta avaliação médica antes de iniciar exercícios.
Cardiologista orienta avaliação médica e acompanhamento adequado antes de aumentar distância e intensidade nas corridas de rua. Crédito: Ilustração
O número de praticantes de corrida de rua no Brasil cresceu de forma expressiva nos últimos anos. Dados divulgados no TS Summit, promovido pelo Ticket Sports, apontam que o país passou de cerca de 9 milhões de corredores em 2022 para 14,6 milhões em 2026. Esse avanço também aparece no calendário de provas oficiais: foram 2.827 em 2024 e 5.241 em 2025, uma alta de 85%. Em Pernambuco, levantamento da Associação Brasileira de Organizadores de Corridas de Rua e Esportes Outdoor (ABRACEO) aponta crescimento de 93%, passando de 123 provas em 2024 para 238 em 2025.
A popularização das corridas, porém, exige atenção à saúde cardiovascular. O cardiologista Jaifábio Lima, que atua na Unidade Pernambucana de Atenção Especializada (UPAE) e no Hospital Eduardo Campos, em Serra Talhada (PE), orienta que pessoas sedentárias façam avaliação médica antes de iniciar a prática. Segundo o especialista, dependendo do perfil do paciente, podem ser realizados exames laboratoriais, eletrocardiograma e ecocardiograma. Ele também atende na Clínica Vidda.
Dr. Jaifábio Lima ressalta que pacientes com arritmias, infarto prévio ou outras doenças cardiovasculares podem necessitar de exames específicos para estimar riscos e definir o tipo e a intensidade de exercício seguro. Quem tem hipertensão arterial, por exemplo, pode correr, desde que use a medicação corretamente, esteja com a pressão controlada e mantenha acompanhamento médico.
O cardiologista também alerta para o consumo de energéticos e outros estimulantes. Em excesso ou em pessoas sensíveis, essas substâncias podem elevar a frequência cardíaca e favorecer arritmias. Ele orienta que sintomas como cansaço muito acima do esperado, palpitações ou desconforto no peito durante a atividade não sejam atribuídos apenas à falta de condicionamento, mas investigados por um profissional.
Dispositivos como smartwatches podem ser aliados para acompanhar a frequência cardíaca durante o exercício, mas não devem ser transformados em ferramentas de diagnóstico. Jaifábio Lima orienta que eventuais dúvidas sobre frequência ou ritmo cardíaco identificadas pelo relógio sejam levadas ao cardiologista para avaliação adequada.
A American Heart Association (AHA) e o American College of Cardiology (ACC) publicaram uma declaração científica em 2025 afirmando que alterações cardiovasculares nem sempre exigem o abandono das atividades esportivas. A prática pode ser possível após avaliação individual do risco e acompanhamento adequado. A AHA também alerta que os efeitos cardiovasculares da cafeína variam entre indivíduos, e doses elevadas podem estar associadas a alterações do ritmo cardíaco.
Estudo publicado em 2025 no JAMA analisou mais de 29 milhões de participantes de maratonas e meias-maratonas nos Estados Unidos entre 2010 e 2023. Foram registradas 176 paradas cardíacas, uma incidência de aproximadamente 0,54 ocorrência por 100 mil participantes. A doença arterial coronariana foi o principal diagnóstico associado entre os casos com causa determinada.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que adultos pratiquem de 150 a 300 minutos semanais de atividade aeróbica moderada ou de 75 a 150 minutos de atividade vigorosa. Pessoas insuficientemente ativas têm risco de morte entre 20% e 30% maior em comparação com aquelas que se exercitam regularmente.
Dr. Jaifábio Lima é formado pela Universidade de Marília (SP), possui especialização em Cardiologia e Ecocardiografia pelo Pronto-Socorro Cardiológico Universitário de Pernambuco (Procape), no Recife, e atua como cardiologista e ecocardiografista. Os dados sobre o crescimento do número de praticantes de corrida foram divulgados no TS Summit, promovido pelo Ticket Sports.