Saúde

Câncer de mama: nem toda paciente precisa de quimioterapia, explica oncologista

Ausência de histórico familiar não elimina o risco de câncer de mama, e nem toda paciente precisa de quimioterapia.

Equipe Corrivus
Publicado em 13/10/2026, às 17h13

Compartilhar:
Resumo da matéria

O câncer de mama é multifatorial, e a ausência de histórico familiar não elimina o risco de desenvolver a doença, explica o oncologista clínico Rodrigo Arruda, coordenador de Oncologia Clínica do Hospital de Câncer de Pernambuco (HCP). Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), apenas entre 5% e 10% dos casos estão relacionados a fatores hereditários. O tratamento é individualizado e depende do estágio da doença, das características biológicas do tumor e das condições clínicas da paciente. Nem toda paciente precisa de quimioterapia: em alguns casos de doença inicial e menor risco de recorrência, ela pode não acrescentar benefício suficiente para justificar seus efeitos colaterais. Após o diagnóstico, as pacientes devem esclarecer dúvidas com o médico especialista, inclusive sobre a necessidade desse tratamento. O INCA prevê mais de 78 mil novos casos de câncer de mama no Brasil a cada ano do triênio 2026-2028.

Câncer de mama: nem toda paciente precisa de quimioterapia, explica oncologista

O tratamento do câncer de mama depende do estágio da doença, das características do tumor e das condições clínicas da paciente. Crédito: Divulgação

A ausência de histórico familiar não elimina o risco de câncer de mama, e nem toda paciente diagnosticada com a doença precisa fazer quimioterapia. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), apenas entre 5% e 10% dos casos estão relacionados a fatores hereditários. A escolha do tratamento é individualizada e depende do estágio da doença, das características biológicas do tumor e das condições clínicas da paciente.

O INCA prevê mais de 78 mil novos casos de câncer de mama no Brasil a cada ano do triênio 2026-2028. A doença representa 30% dos casos novos de câncer entre as mulheres e é a mais incidente nesse público, desconsiderando os tumores de pele não melanoma.

Embora seja disseminada a ideia de que o câncer de mama está necessariamente ligado à hereditariedade, a maior parte das mulheres que desenvolvem a doença não tem predisposição genética hereditária conhecida. O diagnóstico costuma gerar dúvidas entre pacientes sem histórico familiar.

O oncologista clínico Rodrigo Arruda relata que é comum mulheres acreditarem que não precisam se preocupar quando não têm mãe, irmã ou outra parente próxima com câncer de mama. Ele explica, porém, que a ausência de histórico familiar não elimina o risco, pois a doença é multifatorial e apresenta diferentes características biológicas.

Arruda também distingue histórico familiar de predisposição hereditária: ter parentes com câncer não significa necessariamente que exista uma mutação genética responsável pela doença. Segundo o médico, a predisposição hereditária é uma situação específica, geralmente ligada a alterações genéticas transmissíveis entre gerações. Vários parentes com câncer de mama podem indicar essa predisposição e justificar uma avaliação mais detalhada, enquanto a identificação de uma alteração genética pode indicar risco hereditário aumentado.

Na definição do tratamento, são considerados o tamanho do tumor, o comprometimento dos linfonodos, o grau da doença e a presença de receptores hormonais. Conforme o caso, o tratamento pode envolver cirurgia, radioterapia, quimioterapia, hormonioterapia ou terapias-alvo. Mulheres com diagnósticos aparentemente semelhantes podem, por isso, receber tratamentos diferentes.

De acordo com Arruda, não há um tratamento único. A decisão sobre quimioterapia leva em conta o comportamento do tumor, o risco de recorrência, a extensão da doença e as características da paciente. O objetivo, explica o oncologista, é oferecer uma estratégia adequada ao tipo e ao estágio da doença.

Em alguns tumores, a quimioterapia pode ser indicada antes da cirurgia. Em outros, especialmente em determinados casos de doença inicial e menor risco de recorrência, ela pode não acrescentar benefício suficiente para justificar seus efeitos colaterais. A decisão terapêutica considera o risco individual e, quando disponíveis e indicados, testes que ajudam a estimar o comportamento do tumor e a possibilidade de benefício com determinadas terapias.

Na avaliação de Arruda, o conhecimento atual mais detalhado de cada tumor permite evitar tanto tratamentos insuficientes quanto desnecessários. Após o diagnóstico, as pacientes devem esclarecer suas dúvidas com o médico especialista, inclusive sobre a necessidade de quimioterapia.

Rodrigo Arruda atende no Recife (PE) e é coordenador de Oncologia Clínica do Hospital de Câncer de Pernambuco (HCP). Atua também como oncologista no IMIP, na Oncologia Américas/Hospital Santa Joana e na Clínica Unionco, localizada no bairro dos Aflitos. Ele integra o Comitê Gestor da Oncologia Américas, instituição especializada em tratamentos oncológicos de alta complexidade no Brasil.

Compartilhar: