Abelhas: entenda a importância da polinização e como agir ao encontrar enxames
Ao avistar um enxame ou uma colmeia, a orientação é manter distância e acionar o Corpo de Bombeiros.
Resumo da matéria
As abelhas contribuem para a biodiversidade e a segurança alimentar por meio da polinização. Segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), cerca de três quartos dos principais tipos de culturas agrícolas do mundo dependem desses polinizadores. Os ataques costumam ser mais frequentes no verão. Ao avistar um enxame ou uma colmeia, a orientação é manter distância e acionar o corpo de bombeiros.
A polinização realizada pelas abelhas favorece a reprodução das plantas e contribui para a segurança alimentar. Crédito: Ilustração Corrivus
Essenciais à polinização e à segurança alimentar, as abelhas também exigem cuidados para prevenir acidentes com enxames, que podem causar ferimentos e, em algumas ocasiões, morte, principalmente entre pessoas alérgicas ao veneno. Ao avistar um enxame ou uma colmeia, a orientação é manter distância e acionar o corpo de bombeiros. Em caso de ataque, deve-se correr o mais rápido possível para se afastar da colmeia.
Os ataques costumam ser mais frequentes durante o verão, quando a reprodução e a migração das abelhas se intensificam. Acidentes com enxames em áreas urbanas têm levado esses insetos às notícias recentemente, mas sua importância vai além dos riscos e da produção de mel.
Essa é a avaliação de Cynthia Lima, bacharel e licenciada em Biologia, doutora em Oceanografia e professora de Ciências no Ensino Fundamental do Colégio Presbiteriano Mackenzie Agnes, no Recife. Para ela, o maior desafio dos pesquisadores da área é fazer as pessoas compreenderem essa importância mais ampla. A professora também considera legítima a preocupação com a segurança e avalia que ela exige atenção das autoridades, especialmente quando há colônias próximas a residências, escolas e locais de grande circulação.
No Brasil, a espécie relacionada à maioria dos acidentes é a Apis mellifera, também chamada de melífera. Exótica, ela tem o corpo geralmente marrom ou amarelado, com faixas mais escuras, e produz a maior parte do mel consumido. Seu ferrão causa medo em muitas pessoas.
A melífera apresenta comportamento defensivo quando se sente ameaçada. Ao atacar, libera um feromônio que leva outras abelhas a atacar o mesmo alvo. As abelhas respondem a estímulos interpretados como ameaça e são sensíveis a odores fortes e barulho, que podem deixá-las mais agressivas.
Algumas abelhas morrem depois de picar uma pessoa, mas isso não acontece com todas as espécies que possuem ferrão. Na melífera, pequenas estruturas do ferrão podem ficar presas na pele humana. Ao se afastar, o inseto pode perder parte do aparelho digestivo e sofrer uma lesão fatal.
A diversidade desses animais, porém, é muito maior do que a das espécies mais conhecidas. Existem mais de 20 mil espécies de abelhas no mundo, com diferentes tamanhos, cores, hábitos e modos de vida. A maioria prefere a vida solitária. As abelhas sociais, que vivem em colônias organizadas e são mais conhecidas, representam menos de 10% das abelhas descritas.
O Brasil abriga grande diversidade de abelhas nativas, incluindo as sem ferrão, conhecidas como melíponas. Muitas delas produzem mel, mas em quantidades menores do que as abelhas utilizadas na apicultura comercial. A maior parte das abelhas não produz mel em volumes comercialmente exploráveis, nem cera, geleia real ou própolis em escala semelhante à melífera.
A contribuição desses insetos para os ecossistemas ocorre pela polinização. Ao visitar flores, as abelhas coletam néctar e pólen, essenciais à sua alimentação. Muitas carregam o pólen no corpo e o depositam em outras flores durante a busca por alimento.
Derivada da palavra pólen, a polinização consiste no transporte dos grãos da parte masculina à parte feminina de uma flor. Esse processo favorece a reprodução e a variabilidade genética das plantas e contribui para manter a biodiversidade das florestas. A diminuição da polinização provoca alterações em toda a cadeia de relações ecológicas.
Segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), cerca de três quartos dos principais tipos de culturas agrícolas do mundo dependem desses polinizadores. As abelhas têm, assim, contribuição direta para a segurança alimentar.
Elas também funcionam como indicadores da qualidade do ar. Durante as visitas às flores, ficam impregnadas por microrganismos e substâncias químicas presentes na atmosfera.
Desmatamento, mudanças climáticas, uso inadequado de pesticidas e expansão de monoculturas estão entre os fatores associados ao declínio de diversas populações de abelhas. Na avaliação de Cynthia, conhecer a diversidade desses insetos é um primeiro passo para conservá-los.
Para quem busca informações sobre as abelhas sem ferrão, o Abelha — Atlas da Meliponicultura no Brasil disponibiliza um mapa interativo com espécies brasileiras que têm potencial para criação em cada estado. A ferramenta pode ser acessada em https://abelha.org.br/atlas-da-meliponicultura-no-brasil/.
Cynthia ressalta que a responsabilidade pela proteção das abelhas não cabe apenas às autoridades e convida cada pessoa a contribuir com o cultivo de plantas nativas que ofereçam alimento a esses insetos. Segundo a professora, protegê-los envolve reconhecer sua importância ecológica, prevenir acidentes e promover uma convivência consciente com a natureza — cuidado que também beneficia as florestas e os alimentos consumidos.