Usina de Arte inaugura Museu da Memória em Água Preta no dia 13 de outubro
Obra ocupa mais de 600 m² na antiga Usina Santa Terezinha, em Água Preta, e reúne mais de 50 peças antigas.
Resumo da matéria
O projeto Usina de Arte, localizado em Água Preta, na Mata Sul de Pernambuco, inaugura em 13 de outubro o Museu da Memória, instalação permanente de Júlio Villani. Criada a partir de residência artística na antiga Usina Santa Terezinha, a obra ocupa um antigo armazém de açúcar com mais de 600 m² e reúne mais de 50 peças antigas. No dia 15 de outubro, durante a ART.PE, será lançado no Recife Expo Center o livro "Usina de Arte – A construção de uma utopia", escrito pelo jornalista e antropólogo Bruno Albertim. A publicação foi realizada em parceria com a Companhia Editora de Pernambuco (CEPE).
Museu da Memória, instalação permanente de Júlio Villani, será inaugurado em 13 de outubro na Usina de Arte, em Água Preta, na Mata Sul de Pernambuco. Crédito: Andrea Rego Barros
A Usina de Arte, projeto cultural, artístico, educativo e socioambiental localizado em Água Preta, na Mata Sul de Pernambuco e a aproximadamente 130 km do Recife, celebra dez anos de trajetória. Ao longo de uma década, a antiga Usina Santa Terezinha passou a abrigar uma iniciativa que conecta arte contemporânea, natureza, educação e desenvolvimento local. A região, onde vivem cerca de 6 mil pessoas, tem vivenciado transformações que estimulam novas atividades econômicas e culturais, contribuindo para o fortalecimento de restaurantes, pousadas, artesanato, serviços de turismo e atividades ligadas à visitação.
O Parque Artístico Botânico ocupa 44 hectares e reúne obras de arte contemporânea em meio a um processo contínuo de regeneração da paisagem. O acervo, que permanece em construção, inclui trabalhos de Marina Abramović, Artur Lescher, Carlos Garaicoa, José Rufino, Alfredo Jaar, Regina Silveira e Flávio Cerqueira, entre outros. A visitação é gratuita e ocorre diariamente, das 5h30 às 18h.
No dia 13 de outubro, será inaugurado o Museu da Memória, instalação permanente do artista Júlio Villani. A obra ocupa o antigo armazém de açúcar da Usina Santa Terezinha, com mais de 600 m², e resulta de uma residência artística realizada no antigo complexo. Durante essa residência, Villani percorreu as antigas instalações, pesquisou arquivos e conversou com moradores e pessoas com vínculo com o espaço. A inauguração integra uma programação especial ao longo de outubro e contará com a presença de participantes da ART.PE – Feira de Arte Contemporânea de Pernambuco. A ação aproxima o circuito da arte contemporânea do Recife da experiência da Usina de Arte em Água Preta.
A instalação reúne mais de 50 peças antigas da Usina, que passam a assumir novos sentidos a partir de intervenções e releituras do artista. Fazem parte da obra frases encontradas nas estruturas do antigo armazém e inscrições em objetos; algumas frases são vestígios de oficinas oferecidas pela própria Usina de Arte. Em seu trabalho, memória, deslocamento, identidade e transformação aparecem como elementos recorrentes. A produção de Villani transita por pintura, colagem e assemblage. Nascido em 1956 no Brasil, o artista vive e trabalha na França e tem passagens por Dinamarca, Espanha, Inglaterra e França em sua trajetória.
Bruna Pessôa de Queiroz, presidente da Usina de Arte, avalia que o Museu da Memória homenageia as pessoas que construíram, trabalharam e viveram a história da antiga Usina, além de reconhecer os participantes atuais do processo de transformação. Segundo ela, o que mais emociona no trabalho de Júlio Villani é a atenção dedicada às pessoas que deixaram suas marcas naquele espaço. Bruna também destaca que ressignificar um lugar não significa apagar sua história, mas reconhecê-la e criar a partir dela. Para a presidente, essa transformação continua sendo construída e permanece aberta ao futuro.
A Usina de Arte desenvolve iniciativas de educação e formação, incluindo Escola de Música, FabLab Mata Sul, Biblioteca e Centro de Conhecimento, e realiza ações e parcerias com instituições de ensino da região. Segundo Bruna Pessôa de Queiroz, a primeira geração a crescer com a Usina de Arte está buscando ensino superior de forma inédita para a região. A presidente também afirma que a educação tem muito a ver com sonho, e deseja que os jovens sonhem alto e encontrem caminhos para transformar sonho em realidade.
No dia 15 de outubro, durante a ART.PE, no Recife Expo Center, será lançado o livro "Usina de Arte – A construção de uma utopia", escrito pelo jornalista e antropólogo Bruno Albertim. A publicação foi realizada em parceria com a Companhia Editora de Pernambuco (CEPE). O lançamento contará com a presença de Bruna Pessôa de Queiroz, Ricardo Pessôa de Queiroz e Bruno Albertim. O livro estará disponível para comercialização pela CEPE.
A iniciativa é administrada pela Associação Socioambiental e Cultural Jacuípe, organização sem fins lucrativos que reúne representantes da comunidade e viabiliza o projeto por meio de apoio de pessoas físicas e jurídicas. Ao longo de dez anos, a Usina construiu um espaço de encontro entre artistas, pesquisadores, estudantes, moradores, visitantes e diferentes públicos. A antiga estrutura industrial permanece como parte da experiência, estabelecendo diálogo entre memória, patrimônio, arte e futuro.