EXPOARTEJA exibirá 298 trabalhos em Londrina a partir de terça-feira (20)
Segunda edição da mostra no saguão da Prefeitura reúne produções de estudantes da EJA e associa memória à obra de Cora Coralina.
Resumo da matéria
A segunda EXPOARTEJA terá 298 trabalhos disponíveis à comunidade londrinense a partir desta terça-feira (20), no saguão da Prefeitura. A mostra associa memória e obra de Cora Coralina, com produções de estudantes da Educação de Jovens e Adultos de 38 unidades escolares e dos CCIs Leste, Oeste e Norte. Entre as técnicas estão colagem, pintura, escultura, xilogravura e modelagem.
Segunda edição da EXPOARTEJA associa memória e obra de Cora Coralina em produções de estudantes da EJA. Crédito: Emerson Dias/ NCom
A exposição “A Poesia que Não se Esquece: Resgatando Memórias com Cora Coralina através da Arte” será lançada amanhã, às 15h, no saguão da sede administrativa da Prefeitura de Londrina. A mostra corresponde à segunda edição da EXPOARTEJA e associa memórias dos estudantes à obra da escritora.
A partir desta terça-feira (20), toda a comunidade londrinense poderá conhecer, no saguão da Prefeitura, 298 trabalhos de alunos da Educação de Jovens e Adultos (EJA) da rede municipal. São colagens, pinturas, esculturas, xilogravuras e modelagens produzidas por estudantes de 38 unidades escolares e dos Centros de Convivência da Pessoa Idosa (CCIs) Leste, Oeste e Norte.
O trabalho teve como base uma formação conduzida pela Secretaria Municipal de Educação (SME), em parceria com o Instituto Não Me Esqueças. Realizada em agosto, a formação continuada reuniu mais de 85 professores, coordenadores pedagógicos e gestores escolares e abordou a premissa da exposição.
Após essa etapa, a Coordenação da EJA desenvolveu material pedagógico de apoio aos professores para integrar ao conteúdo curricular a trajetória da poetisa e cronista goiana Cora Coralina. A escritora publicou seu primeiro livro aos 75 anos e consagrou-se como uma das maiores escritoras do país.
Segundo Vanessa Valero, coordenadora de Jovens e Adultos da SME, as diretrizes da formação e o material pedagógico orientaram os educadores na exploração da subjetividade dos estudantes e na transformação de vivências pessoais em produções artísticas autorais. Ela explicou que a memória integra todos os componentes curriculares de forma transversal e interdisciplinar, contextualizando a aprendizagem à realidade dos alunos. Em sua avaliação, o processo fortalece a autoimagem, a cognição e o pertencimento.
Muitos estudantes da EJA são idosos, e questões relacionadas à memória e ao declínio cognitivo fazem parte da rotina escolar e das conversas com os professores. Vanessa explicou que a parceria com o Instituto Não Me Esqueças surgiu da necessidade pedagógica de preservar e estimular a cognição desses alunos. Conforme a coordenadora, os professores relatavam demandas frequentes relacionadas à memória, incluindo situações de estudantes com doença de Alzheimer e outras condições associadas ao envelhecimento.
O Instituto Não Me Esqueças presta suporte a pessoas com demência e a seus familiares. Sua presidente, Elaine Fernandes Mateus, que também preside a Federação Brasileira das Associações de Alzheimer (Febraz), avaliou que a identificação dessa necessidade de formação pela própria EJA evidencia a presença do tema em diferentes espaços sociais. Para ela, a parceria permite ao Instituto compartilhar conhecimentos e contribuir para uma educação mais acolhedora e inclusiva.
Elaine relatou que, nas oficinas do Instituto, cada pessoa encontra maneiras próprias de criar e se expressar, surpreendendo até familiares com habilidades e descobertas. Em sua avaliação, a segunda EXPOARTEJA valoriza as histórias de vida dos estudantes e demonstra as possibilidades da arte para expressar lembranças, sentimentos e experiências.
Na Escola Municipal Maria Carmelita Vilela Magalhães, as professoras Margarete Nunes Vieira Mazzoni e Patricia Guedes de Almeida conduzem as aulas da EJA. A unidade tem oito estudantes no período matutino e sete à tarde, entre eles Carla Carolina Moreira, de 34 anos.
Margarete explicou que, diferentemente de outras turmas da modalidade, seus alunos são jovens adultos entre 20 e 40 anos. Por isso, as professoras trabalharam a memória a partir de lembranças mais recentes, da infância. Elas apresentaram a textura da argila aos estudantes, que produziram pequenos pratos, e abordaram pertencimento e alfabetização com argila e carimbos para a escrita do próprio nome.
Segundo a professora, os alunos foram incentivados a decorar os pratos com boas memórias. Entre os desenhos apareceram uma pipa ligada às brincadeiras com o irmão, um sorvete feito pela avó e flores associadas à madrinha. Margarete considerou a produção interessante.
Carla elaborou e pintou um prato de argila e, assim como os colegas, produziu uma placa com o próprio nome. Ela contou que escolheu o rosa porque sua avó gosta da cor e desenhou uma rosa em memória da madrinha falecida, que gostava de flores e foi como uma mãe para ela. A estudante relatou ainda que gosta muito de ir à escola, sonha em aprender a ler e se sentiu muito acolhida pela turma.
A EJA da rede municipal de Londrina atende 595 alunos em 55 turmas matutinas, vespertinas e noturnas, distribuídas em escolas municipais e nos CCIs Leste, Oeste e Norte. Os estudantes buscam concluir os Anos Iniciais do Ensino Fundamental, equivalentes ao 5º ano. Vanessa avaliou que a modalidade tem se configurado como EJA-is, pautada no atendimento a idosos, na inclusão e nos imigrantes.
Para a coordenadora, a mostra é uma ação continuada de valorização cultural e expressão artística da EJA, que contribui para o desenvolvimento e o protagonismo dos estudantes ao resgatar suas memórias. Ela também avaliou que a exposição aproxima a população londrinense da modalidade, promove o reconhecimento de educadores e educandos e incentiva pessoas que não concluíram o Ensino Fundamental I ou nunca tiveram oportunidade de alfabetização a retornar aos estudos e realizar seus sonhos.