Educação

Alunos de Londrina criam fórmula com arruda para afastar escorpiões

Fórmula desenvolvida por alunos teve testes iniciais com formigas e ainda não foi avaliada diretamente com escorpiões; pesquisa tem parceria com a UEL.

Equipe Corrivus
Publicado em 20/10/2026, às 23h23

Compartilhar:
Resumo da matéria

Três estudantes do 9º ano do Colégio Estadual Cívico-Militar do Patrimônio Regina, em Londrina, desenvolvem um repelente natural de baixo custo à base de arruda contra escorpiões. O projeto está em fase inicial e tem parceria científica com a UEL. Ensaios com formigas indicaram afastamento da área tratada, mas ainda não houve testes com escorpiões vivos. A equipe aguarda a liberação dos animais pela universidade.

Alunos de Londrina criam fórmula com arruda para afastar escorpiões

Projeto de estudantes de Londrina tem parceria científica com a UEL e ainda não foi testado com escorpiões vivos. Crédito: Regina/CCM Patrimônio

Três estudantes do 9º ano do Ensino Fundamental do Colégio Estadual Cívico-Militar do Patrimônio Regina, em Londrina, no Norte do Paraná, desenvolvem um repelente natural, ecológico e de baixo custo contra escorpiões. O projeto, ainda em fase inicial, utiliza arruda (Ruta graveolens) como princípio ativo vegetal e conta com parceria científica da Universidade Estadual de Londrina (UEL). A fórmula ainda não foi testada diretamente com escorpiões vivos.

Os alunos integram a Sala de Recursos de Altas Habilidades/Superdotação (AH/SD) e iniciaram a pesquisa em março deste ano, preocupados com o número de acidentes com escorpiões no Paraná. A proposta surgiu do interesse coletivo por ciências, matemática e tecnologia. Entre os integrantes estão Jean Lucas Silva de Camargo e Rodrigo Lorenzo Gomes da Silva, ambos de 15 anos. A orientação é da professora de Biologia Natália Cenedesi Vicentim Bom.

Segundo a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), o Paraná registrou 8.472 acidentes com escorpiões em 2025, dos quais 1.144 nos municípios de abrangência da 17ª Regional de Saúde de Londrina. Até setembro de 2026, foram contabilizados 5.265 casos no estado e 678 na mesma regional.

A pesquisa busca desenvolver uma alternativa para afastar animais peçonhentos sem compostos químicos agressivos. Rodrigo explicou que os estudos da equipe apontaram a arruda como uma planta medicinal acessível em quintais ou feiras, o que permitiria uma produção barata e viável para quem mais precisa.

O método de preparação elaborado pelo grupo prevê a imersão de folhas e ramos de arruda em álcool 95% por dois a três dias, para extração dos bioativos. Depois, a solução é filtrada e armazenada em frascos borrifadores simples. A eficácia contra escorpiões e a segurança da substância ainda serão avaliadas nas próximas etapas.

Por questões de biossegurança no ambiente escolar, os estudantes não realizaram testes diretamente com escorpiões vivos e aguardam a liberação dos animais pela universidade. Para avaliar com segurança o potencial de repelência, adaptaram a amostragem com formigas. Nas duas rodadas de ensaios laboratoriais realizadas até o momento, elas evitaram imediatamente a área tratada com a fórmula.

Jean Lucas explicou que a equipe escolheu formigas para essa triagem primária por serem de fácil acesso e pertencerem ao mesmo filo biológico dos escorpiões, Arthropoda. Rodrigo considerou gratificante observar o afastamento das formigas após a aplicação e avaliou que o resultado reforçou a confiança do grupo no potencial da abordagem.

As próximas fases preveem testes controlados de repelência com escorpiões nos laboratórios da UEL. A equipe buscará padronizar as concentrações mínimas eficazes, medir o raio de cobertura e o tempo de permanência da substância, além de avaliar a hipoalergenicidade e a segurança para humanos e animais domésticos.

O projeto tem como meta transferir conhecimento, e não comercializar o repelente. A equipe planeja ensinar a fórmula diretamente a adultos e chefes de família de bairros vulneráveis, onde entulhos e condições habitacionais costumam elevar o risco de contato com escorpiões.

O trabalho foi apresentado recentemente na Feira Nacional de Altas Habilidades/Superdotação (FENAAH/S), em Foz do Iguaçu, no Oeste. Organizada pela Secretaria de Estado da Educação (Seed-PR), a FENAAH/S é a maior feira científica voltada a estudantes com indicação de Altas Habilidades e Superdotação da rede pública do Paraná.

A apresentação a visitantes de todo o estado consolidou o aprendizado prático dos alunos sobre método científico, botânica e controle biológico. Para Natália, participar de feiras como essa é indispensável pela troca entre estudantes, pelo aprendizado com avaliadores especializados e pela oportunidade de demonstrar respostas da pesquisa escolar pública a desafios comunitários.

Enquanto a pesquisa avança, a prevenção de acidentes exige cuidados com os ambientes. Escorpiões habitam lixo, entulhos acumulados, roupas e sapatos e são mais ativos em períodos e locais quentes. A orientação é evitar o acúmulo de entulhos, lixo, madeiras, telhas e materiais em desuso em quintais e terrenos.

Também é recomendado vedar frestas em paredes, rodapés, portas e janelas, inspecionar e fechar aberturas em tubulações elétricas e hidráulicas e manter ralos internos e externos fechados ou protegidos com telas. Roupas, calçados e roupas de cama devem ser sacudidos antes do uso.

Ao manusear materiais de construção ou lenha, ou durante a limpeza de áreas externas, a população deve utilizar luvas e calçados fechados. Em caso de acidente, a orientação é procurar imediatamente a unidade de saúde mais próxima. Sempre que possível, a pessoa envolvida deve levar o animal ou fotografá-lo para auxiliar na identificação.

O Centro de Informação e Assistência Toxicológica (CIATox) oferece esclarecimento de dúvidas e orientações por telefone. Os contatos são: CIATox Paraná, 08000 410148; CIATox Londrina, (43) 3371-2244; CIATox Maringá, (44) 3011-9127; e CIATox Cascavel, (45) 3321-5261.

Compartilhar: