Até 90% dos tumores de mama em gatas são malignos; veterinário alerta para sinais
Professor de Medicina Veterinária destaca importância da detecção precoce e da castração antes dos seis meses.
Resumo da matéria
O professor Vinicius Gonzalez Peres Albernaz, da UniCesumar Curitiba (PR), alerta que até 90% dos tumores de mama em gatas são malignos, enquanto em cadelas a proporção é de 50%. A castração antes dos seis meses de vida reduz o risco para 9%, e antes de um ano para 14%. O uso de anticoncepcionais é o principal fator de risco evitável. Qualquer nódulo exige avaliação imediata por especialista em oncologia.
Tumores mamários em gatas apresentam alta proporção de malignidade, e a identificação precoce de nódulos exige avaliação veterinária. Crédito: Ilustração
O câncer de mama em gatas apresenta um grau de agressividade muito superior ao observado em cadelas. Enquanto até 90% dos tumores mamários felinos são malignos, nas cadelas essa proporção é de 50%. Os dados são do Manual MSD de Veterinária e de estudos de epidemiologia veterinária. A campanha Outubro Rosa Pet alerta para essas diferenças biológicas entre as espécies.
O professor Vinicius Gonzalez Peres Albernaz, do curso de Medicina Veterinária da UniCesumar Curitiba (PR), explica que gatos não são cães pequenos: possuem características biológicas e genéticas distintas, o que resulta em doenças com comportamentos completamente diferentes. Nas gatas, as neoplasias têm maior capacidade de invasão tecidual e disseminação metastática, e nove em cada dez animais diagnosticadas apresentam quadros de alta gravidade. A doença pode evoluir de forma assintomática até fases adiantadas, manifestando-se inicialmente por pequenos nódulos palpáveis sob a pele na região ventral, da axila à virilha.
A detecção precoce é fundamental. Segundo o especialista, iniciar o protocolo clínico enquanto a lesão ainda é pequena aumenta as chances de sucesso. O tamanho do nódulo influencia a capacidade de tratamento, mas não altera a natureza maligna do tumor. Em estágios avançados com metástase, o animal pode apresentar dificuldade respiratória, tosse, perda de peso, falta de apetite, apatia, fraqueza e dores ósseas. Mais de 50% das gatas com tumor de mama já possuem células tumorais fora da cadeia mamária no momento do diagnóstico inicial, frequentemente com comprometimento da musculatura local ou dos gânglios linfáticos.
A conduta terapêutica padrão envolve a remoção cirúrgica completa de ambas as cadeias mamárias e dos linfonodos regionais, podendo ser complementada por quimioterapia, terapias-alvo ou cuidados paliativos. A castração precoce atua como medida preventiva eficaz: realizada antes dos seis meses de vida, reduz o risco de câncer de mama em gatas para 9%; antes de um ano, para 14%. O principal fator de risco evitável para tumor de mama em gatos de ambos os sexos é o uso de anticoncepcionais e injeções hormonais, que elevam expressivamente o risco de neoplasias.
O câncer de mama também pode acometer felinos machos, correspondendo a cerca de 0,5% do total de casos, porém com taxa de agressividade superior à observada em fêmeas. A observação atenta das mamas é a principal arma dos tutores. Diante de qualquer volume anormal na cadeia mamária, deve-se encaminhar o animal para consulta com médico veterinário especialista em oncologia. Alterações como vermelhidão, inchaço, secreção e feridas sem cicatrização integram o quadro clínico e exigem avaliação imediata.