Balé Teatro Guaíra apresentará Cartografia da Memória em Curitiba em 14 e 15 de novembro
Programa inclui a estreia de Templo Provisório, de Lucas Valente; ingressos custam R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia-entrada).
Resumo da matéria
O Balé Teatro Guaíra estreará Templo Provisório, de Lucas Valente, em Curitiba, nos dias 14 e 15 de novembro. A obra integra o programa Cartografia da Memória ao lado de STOL – uma questão de confiança, de Alessandro Sousa Pereira. As sessões no Guairão terão tradução para Libras e audiodescrição. Os ingressos custam R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia-entrada), à venda pelo DiskIngressos e na bilheteria do teatro.
Cartografia da Memória reúne Templo Provisório, de Lucas Valente, e STOL, de Alessandro Sousa Pereira. Crédito: CCTG
O Balé Teatro Guaíra (BTG) estreia Templo Provisório, nova criação de Lucas Valente, nos dias 14 e 15 de novembro, em Curitiba. A obra integra o programa duplo Cartografia da Memória ao lado de STOL – uma questão de confiança, de Alessandro Sousa Pereira, já apresentada pela companhia. Após as sessões na capital paranaense, o programa seguirá para Goiânia e Cascavel.
As apresentações em Curitiba serão no Auditório Bento Munhoz da Rocha Neto, o Guairão, no sábado (14), às 20h30, e no domingo (15), às 18h. Ambas terão tradução para Libras e audiodescrição. Os ingressos estão à venda pelo DiskIngressos e na bilheteria do teatro, por R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia-entrada). O endereço é Rua Conselheiro Laurindo, 175, Centro.
Cartografia da Memória reúne duas obras que investigam as relações entre corpos, objetos e o mundo construído coletivamente. O programa aproxima a transformação coletiva do banal em extraordinário, presente em Templo Provisório, do desafio de restabelecer a confiança entre humanidade e natureza, abordado em STOL.
Marcelo Damián Zamora, que assumiu a direção do BTG em julho de 2026, avalia que o programa representa a identidade artística da companhia ao valorizar sua trajetória, recuperar a memória, expor a potência do elenco premiado e estabelecer uma comunicação clara e direta com a plateia.
Em Templo Provisório, 23 bailarinos dividem a cena com 22 colchões. Gestos simples, como sentar, levantar, arrastar e empilhar, compõem um jogo entre dança e teatro. Ao deslocar e reorganizar os objetos, o elenco cria e desfaz configurações: o ambiente nasce durante a apresentação e desaparece ao final, combinando movimentos cotidianos, potência visual coletiva e espetáculo teatral.
A criação inspira-se na trajetória e no legado de Yvonne Rainer, coreógrafa, bailarina, cineasta e escritora norte-americana considerada uma referência fundamental da dança pós-moderna. Uma das referências é Parts of Some Sextets, obra que ela criou em 1965 para dez bailarinos e 12 colchões.
Sem registro em filme, Parts of Some Sextets acabou perdida no tempo. Em 2019, a coreógrafa e pesquisadora Emily Coates remontou a obra com base em fotografias, documentos e memórias de participantes da criação original. Essa recuperação chamou a atenção de Valente pelo impacto visual das imagens e pela transformação da memória revisitada.
Para o BTG, o coreógrafo desenvolveu uma reinterpretação com referências estéticas e conceituais próprias, em diálogo com a memória, o trabalho coletivo e as possibilidades expressivas do elenco. Segundo Valente, a criação foi intensamente compartilhada com os bailarinos, e as ideias iniciais tomaram novos rumos, de modo que o resultado evidencia tanto sua autoria quanto a do grupo.
Valente explica que a ideia de templo corresponde à capacidade de um coletivo atribuir valor a espaços ou objetos: o sagrado dependeria mais da atenção e dos significados construídos pelas pessoas do que do material. Para ele, o grupo pode transformar o banal e ordinário em extraordinário. Já a provisoriedade remete ao caráter efêmero da dança, pois cada apresentação é única, mesmo quando a coreografia se repete.
Brasileiro radicado na Suíça, Valente iniciou sua formação artística no Brasil, com teatro, circo, balé, técnica Graham e jazz, e cursou Direção Teatral e Filosofia na Universidade de São Paulo. Sua carreira como bailarino profissional se desenvolveu ao longo de 15 anos, em companhias e projetos no Brasil e no exterior, incluindo a São Paulo Companhia de Dança e o Ballett Zürich.
O coreógrafo criou trabalhos para instituições da Europa, Ásia e Américas. Entre os reconhecimentos recebidos estão o primeiro prêmio no Biarritz Choreographic Competition, em 2022, e o Tanznetz Critics’ Award de Melhor Coreografia da temporada 2025/26, concedido em 2026 por Bare, criada para o Ballett Zürich, na Suíça.
A outra obra do programa, STOL – uma questão de confiança, é uma criação de 2025 de Alessandro Sousa Pereira, com estreia simultânea na Dinamarca e no Brasil. Em dinamarquês, stol significa cadeira e também remete à confiança, dupla interpretação que orienta a coreografia.
O trabalho investiga as tensões entre natureza e cultura, entre o orgânico e o mundo construído pelo ser humano. A cadeira representa a produção humana, a indústria e a técnica, enquanto os bailarinos evocam o orgânico em aproximações, conflitos e transformações. Na interação com os objetos, os movimentos alternam intensidade, agressividade e calma.
A trilha utiliza o Bolero, de Maurice Ravel, cuja repetição contribui para uma dinâmica crescente. O figurino inclui máscaras que cobrem os rostos dos bailarinos e reforçam a simbologia da composição.
Em STOL, Pereira propõe uma reflexão sobre a convivência de mundos opostos e questiona o distanciamento da sociedade diante das transformações ambientais e das crises causadas pela ação humana. A obra também reconhece a possibilidade de a técnica e a indústria contribuírem para preservar a natureza.
Artista brasileiro radicado na Dinamarca, Pereira trabalhou como bailarino e coreógrafo em companhias da Europa e do Brasil. Integrou o Danish Dance Theatre por mais de 13 anos e criou obras para companhias de diferentes países. Também assina Castelo, que faz parte do repertório do BTG.
Em Goiânia, Cartografia da Memória será apresentado na 9ª Mostra Girodança, no dia 21 de novembro, sábado, às 20h, no Teatro Goiânia. Os ingressos serão gratuitos, com reserva antecipada pelo Sympla, cuja disponibilidade será aberta em breve. O teatro fica na Rua 23, 252, Setor Central.
Em Cascavel, no oeste do Paraná, o programa fará parte das comemorações do aniversário do município, com duas apresentações gratuitas no Teatro Municipal Sefrin Filho. A sessão de 29 de novembro, domingo, às 18h, será destinada ao público geral. No dia 30, segunda-feira, às 10h, a apresentação será voltada a estudantes de escolas públicas e pessoas atendidas por entidades sociais.
As duas sessões em Cascavel terão tradução para Libras e audiodescrição. Os ingressos exigirão reserva antecipada pelo Sympla, com disponibilidade em breve. O Teatro Municipal Sefrin Filho está localizado na Rua Rio de Janeiro, 905, Centro.