Saúde

Cascavel inicia implementação de Wolbitos em 17 bairros

A soltura gradual está prevista para ocorrer ao longo de 26 semanas, e Cascavel terá 6.073 pontos de soltura.

Equipe Corrivus
Publicado em 19/10/2026, às 22h19

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Resumo da matéria

A Prefeitura de Cascavel iniciou a implementação dos Wolbitos em 17 bairros. A soltura gradual está prevista para ocorrer ao longo de 26 semanas, e o município terá 6.073 pontos de soltura, protegendo 215.318 pessoas. Os Wolbitos são Aedes aegypti com Wolbachia, que não transmitem os vírus da dengue, Zika e chikungunya. Agentes de campo capacitados realizam liberações controladas semanalmente.

Cascavel inicia implementação de Wolbitos em 17 bairros

Em Cascavel, a soltura gradual de Wolbitos está prevista para ocorrer ao longo de 26 semanas. Crédito: Secom Cascavel

A Prefeitura de Cascavel iniciou a implementação dos Wolbitos em 17 bairros. A soltura gradual está prevista para ocorrer ao longo de 26 semanas, com 6.073 pontos de liberação e proteção de 215.318 pessoas.

A ação abrange Brasmadeira, Cancelli, Centro, Florestas, Guarujá, Morumbi, Periolo, XIV de Novembro, Santa Felicidade, Interlagos, Esmeralda, Alto Alegre, Brasília, São Cristóvão, Cataratas, Cascavel Velho e Universitário. Agentes de campo treinados e capacitados realizam liberações controladas semanalmente, com veículos e equipamentos próprios.

Os Wolbitos são mosquitos Aedes aegypti com a bactéria Wolbachia, que não transmitem os vírus da dengue, Zika e chikungunya e auxiliam no combate às arboviroses. Naturalmente presente em mais da metade dos insetos da natureza, a bactéria impede o desenvolvimento desses vírus no organismo do mosquito.

Após a liberação, os Wolbitos acasalam-se com os mosquitos locais e transmitem a bactéria às gerações seguintes. Esse processo forma, ao longo do tempo, uma população com capacidade reduzida de transmitir as doenças. Em Cascavel, a expectativa é de aumento autossustentável da presença da Wolbachia ao longo dos meses. A fase de liberação ocorre junto ao monitoramento por ovitrampas, que mede o estabelecimento da bactéria em campo.

Para a operação, o município conta com uma base de apoio, com estrutura mínima para armazenar os itens necessários à implementação dos Dispositivos de Liberação de Ovos (DLOs). A base recebe cápsulas com ovos e ração vindas da biofábrica. Em contato com a água, elas dão origem aos insetos diretamente nos pontos de liberação. Os dispositivos são instalados em locais estratégicos para liberar Wolbitos na região.

A orientação é que a população de Cascavel mantenha as DLOs instaladas. Caso encontre os itens jogados no chão ou vandalizados, pode informar a Secretaria de Saúde pelo telefone (45) 3902-1343 ou pelo WhatsApp (45) 9113-0867.

A liberação sucede o trabalho de engajamento comunitário, durante o qual a população local recebeu informações sobre a tecnologia e seu funcionamento. Gabriel Sylvestre, gerente de implementação da Wolbito do Brasil, explicou que as liberações começam depois que os moradores conhecem o método e compreendem sua segurança para a proteção da população.

Segundo Sylvestre, o trabalho será intenso nas próximas semanas e continua dependendo da colaboração das pessoas na eliminação do mosquito e de possíveis criadouros. Ele ressaltou que matar o Aedes aegypti também contribui para o método.

O Método Wolbachia é conduzido pela Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ), em parceria com o Ministério da Saúde, e operado pela Wolbito do Brasil. Baseada em evidências científicas, a estratégia integra as ações nacionais de enfrentamento às arboviroses e consta, desde 2025, nas Diretrizes de Controle e Prevenção das Arboviroses. Sua adoção no país está aumentando.

Pesquisas de eficácia demonstram associação entre a maior presença de mosquitos com Wolbachia em campo e menores números de casos de dengue, Zika e chikungunya. Estudos de comprovação científica também mostram a manutenção estável da bactéria na população de mosquitos mesmo após oito anos das primeiras liberações. Em Niterói, onde todo o território está coberto pela tecnologia, a redução dos casos de dengue foi de 89%.

Atualmente, o método está presente em 16 cidades brasileiras, protegendo mais de 8 milhões de pessoas. A expansão compreende dezenas de outros municípios indicados pelo Ministério da Saúde e inclui Ribeirão Preto, Araraquara e São José do Rio Preto (SP); Contagem (MG); Foz do Iguaçu e Cascavel (PR); Anápolis, Aparecida de Goiânia e Trindade (GO); Olinda (PE); e Rio Branco (AC).

A Wolbito do Brasil nasceu de um desdobramento estratégico do Instituto de Biologia Molecular do Paraná (IBMP) junto ao World Mosquito Program (WMP), organização pioneira na implementação do método no Brasil.

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