Saúde

Nutróloga alerta sobre riscos do consumo excessivo de proteína

Especialista destaca que aumento de proteína pode reduzir outros grupos alimentares e causar desequilíbrios.

Equipe Corrivus
Publicado em 14/09/2026, às 16h03

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Resumo da matéria

A nutróloga Gabriela Adamy de Lírio alerta que o aumento do consumo de proteína em detrimento de outros grupos alimentares pode causar riscos à saúde. Ela enfatiza que alimentos ou suplementos chamados de 'proteicos' não são automaticamente saudáveis, e que whey pode ser útil para quem tem dificuldade em atingir a necessidade diária, mas não substitui a variedade nutricional de uma refeição completa. A especialista destaca ainda que pacientes com doença renal precisam de avaliação individual.

Nutróloga alerta sobre riscos do consumo excessivo de proteína

Nutróloga alerta que o consumo de proteína deve considerar as necessidades individuais e manter a variedade da alimentação. Crédito: Divulgação / Catuaí Shopping Cascavel

O aumento do consumo de proteínas pode trazer riscos quando leva à redução de outros grupos alimentares importantes. O desequilíbrio começa quando a recomendação adequada é interpretada como “quanto mais proteína, melhor”, ou como se o nutriente devesse ocupar sozinho o centro da alimentação. Quando carnes, ovos, queijos, shakes e snacks proteicos substituem frutas, verduras, legumes, cereais e outras fontes alimentares, o cardápio perde variedade e pode reduzir a ingestão de fibras, vitaminas, minerais e outros compostos essenciais para a saúde.

Uma pesquisa do Grupo Consumoteca, apresentada no Nutri Ingredients Summit, aponta que 64% dos brasileiros já utilizam algum tipo de suplementação na rotina. Proteínas e creatina estão entre as principais categorias consumidas depois dos multivitamínicos. O interesse pelo termo “proteína” nas buscas do Google cresceu 350% nos últimos cinco anos, segundo dados do Google Trends divulgados em agosto de 2026 pela Folha de S.Paulo. A movimentação ultrapassa academias e chega a diferentes categorias de alimentos.

Gabriela Adamy de Lírio, nutróloga da Aesthetic, clínica do Centro Médico do Catuaí, destaca que mais importante do que perguntar “quanto de proteína eu estou comendo?” é perguntar “quanto de proteína eu preciso e de onde ela está vindo?”. O principal sinal de alerta é quando a pessoa passa a montar a alimentação em torno da proteína, e não de uma dieta equilibrada. O alerta aparece quando a chamada “comida de verdade” começa a perder espaço para barrinhas, shakes, snacks e outros produtos industrializados enriquecidos com proteína.

Um alimento ou suplemento ser chamado de “proteico” não significa automaticamente que seja saudável. Existem produtos ultraprocessados com bastante proteína, mas também com excesso de açúcar, gordura, sódio e adoçantes. O whey, por exemplo, é uma fonte prática, concentrada e de boa qualidade de proteína e pode ser útil para quem encontra dificuldade em atingir a necessidade diária apenas com a alimentação, mas isso não significa que o suplemento ofereça a mesma variedade nutricional de uma refeição completa. Uma refeição composta por arroz, feijão, vegetais e uma fonte proteica fornece fibras, vitaminas e minerais, além da própria proteína.

No curto prazo, uma dieta pobre em fibras pode favorecer constipação, alteração do hábito intestinal e sensação de estufamento. A longo prazo, as fibras participam de mecanismos importantes para a manutenção da saúde intestinal e metabólica. Constipação intestinal, distensão abdominal, sensação de má digestão, cansaço, fadiga e dificuldade para sustentar os treinos estão entre os indícios que merecem atenção. A monotonia alimentar e o consumo elevado de carnes processadas, queijos e outros alimentos que podem concentrar gordura saturada e sódio completam a lista de cuidados.

Pacientes com doença renal ou fatores de risco para comprometimento dos rins precisam de avaliação individual, porque uma dieta com excesso de proteína pode acelerar a progressão da doença.

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