Mel de Capanema recebe Indicação Geográfica do INPI como Denominação de Origem
Reconhecimento foi solicitado pela Apic; Paraná conta agora com quatro méis com Indicação Geográfica.
Resumo da matéria
O Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) concedeu, na terça-feira (20), Indicação Geográfica ao mel de Capanema na modalidade Denominação de Origem. O pedido foi apresentado pela Associação de Apicultores de Capanema e Região (Apic), cujos produtores mantêm cerca de 5 mil colmeias e produzem 60 toneladas anuais. O diferencial do mel resulta da interação das abelhas com a flora nativa da Mata Atlântica preservada no Parque Nacional do Iguaçu.
Produtores vinculados à Apic mantêm cerca de 5 mil colmeias e produzem 60 toneladas de mel por ano. Crédito: Carina Pelegrin
O mel de Capanema, no Sudoeste do Paraná, recebeu nesta terça-feira (20) a Indicação Geográfica (IG) na modalidade Denominação de Origem (DO), concedida pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). O pedido foi apresentado pela Associação de Apicultores de Capanema e Região (Apic). Com o reconhecimento, o Paraná passa a contar com quatro méis com IG e soma 29 indicações geográficas, mantendo a liderança nacional.
A Denominação de Origem garante qualidade e características especiais originadas exclusivamente de fatores naturais e humanos específicos da região. No caso do mel de Capanema, o diferencial resulta da interação das abelhas com a flora nativa da Mata Atlântica preservada no Parque Nacional do Iguaçu, na fronteira entre Brasil e Argentina.
A apicultura na região tem base na agricultura familiar e mais de 50 anos de atividade. Atualmente, os produtores vinculados à Apic mantêm cerca de 5 mil colmeias e produzem 60 toneladas de mel por ano. A produção dos associados abastece o mercado regional e a rede de serviços do entorno do Parque Nacional do Iguaçu, além de ser comercializada para estados como São Paulo e Rio Grande do Sul.
O Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) apoia produtores de diversas atividades produtivas na obtenção da IG, um diferencial de qualidade que amplia as oportunidades dos produtos nos mercados nacional e internacional. Para Hulda Giesbrecht, coordenadora de Tecnologias Portadoras de Futuro do Sebrae Nacional, a Denominação de Origem valida o padrão técnico e a identidade do mel de Capanema. Ela explica que, para os pequenos produtores e a agricultura familiar da região, o reconhecimento fortalece a organização produtiva, protege a procedência no mercado e abre canais comerciais com compradores que exigem conformidade e diferenciação comprovadas.
Além da comercialização do mel como fonte de renda familiar, alguns apiários de Capanema consideram o turismo ligado à produção uma possibilidade adicional de sustento e divulgação do produto. A Apic já organiza e realiza visitas guiadas com turistas.
O presidente da associação, Cleiton Lagemann, espera que a IG amplie essas visitações. Segundo ele, a Apic já integra a rota turística do município e oferece acompanhamento técnico aos visitantes em apiários locais, onde é possível conhecer as colmeias, a extração do mel e o tratamento do produto.
A proprietária do Apiário Manchini, Salete Manchini, relata que prepara uma ampliação da oferta turística. Na avaliação dela, o passeio se diferencia por transmitir conhecimento sobre uma produção local. Salete considera válido investir na atividade, que pode complementar a renda de muitas famílias e produtores.
Para Irapuan Cortes, diretor-presidente do Viaje Paraná, a IG se relaciona com o turismo por expressar pertencimento regional e dar visibilidade a produtos típicos dos municípios. Ele cita Antonina, onde as balas de banana passaram a integrar passeios, agregar valor aos roteiros e representar a cultura local reconhecida pela cidade.
O mel de Capanema se junta a outros três méis com Indicação Geográfica no Paraná. O de Ortigueira recebeu a certificação em 2015, e o do Oeste do Paraná, em 2017, com abrangência de 48 municípios. Já a IG do mel de melato da Bracatinga do Planalto Sul do Brasil foi concedida a Santa Catarina em 2021 e inclui 12 municípios paranaenses.
Segundo a Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento, o Paraná foi o segundo maior produtor de mel do país em 2025, com 10,7 mil toneladas e alta de 7,1%. O estado liderou o valor da produção naquele ano, com R$ 217,7 milhões, crescimento de 17,1% e participação de 17,9% no valor nacional.
Em 2026, o Paraná conquistou sete novos registros de IG: mel de Capanema, cervejas artesanais de Guarapuava, pão no bafo de Palmeira, couro de peixe de Pontal do Paraná, ginseng de Querência do Norte, café da Serra de Apucarana e tortas de Carambeí.
No ano anterior, foram oito reconhecimentos: ostras do Cabaraquara, poncã de Cerro Azul, broas de centeio de Curitiba, cracóvia de Prudentópolis, carne de onça de Curitiba, café de Mandaguari, urucum de Paranacity e queijo colonial do Sudoeste do Paraná.
Também integram a relação de produtos paranaenses com IG os queijos coloniais de Witmarsum, a cachaça e a aguardente de Morretes, o melado de Capanema, os vinhos de Bituruna, o barreado do Litoral do Paraná, a bala de banana de Antonina, a erva-mate de São Mateus, a camomila de Mandirituba, as uvas finas de Marialva, os cafés especiais e o morango do Norte Pioneiro e a goiaba de Carlópolis.
Com o registro do mel de Capanema, o INPI chega a 183 indicações geográficas reconhecidas. São 45 Denominações de Origem, das quais 35 nacionais e 10 estrangeiras, e 138 Indicações de Procedência, sendo 137 nacionais e uma estrangeira.