Saúde

Cambé inicia liberação de mosquitos com bactéria contra a dengue

Ação visa controlar e prevenir a dengue; liberações ocorrerão semanalmente por 26 semanas em 885 pontos.

Equipe Corrivus
Publicado em 03/10/2026, às 22h21

Compartilhar:
Resumo da matéria

Cambé deu início à fase de liberação dos Wolbitos, mosquitos Aedes aegypti portadores da bactéria Wolbachia, em 21 bairros. São 885 pontos de soltura, com liberações semanais previstas para 26 semanas. A expectativa é proteger mais de 34 mil pessoas. O Método Wolbachia é conduzido pela Fiocruz, em parceria com o Ministério da Saúde, e operado pela Wolbito do Brasil. O método já está presente em 16 cidades brasileiras e protege mais de 8 milhões de pessoas. Em Niterói, a redução dos casos de dengue foi de 89%. O engajamento comunitário incluiu panfletagem e explicações. A bactéria impede o desenvolvimento dos vírus no mosquito e é transmitida para gerações futuras.

Cambé inicia liberação de mosquitos com bactéria contra a dengue

Cambé iniciou a liberação de Wolbitos em 885 pontos distribuídos por 21 bairros do município. Crédito: Reprodução/Ministério da Saúde

Cambé deu início à fase de liberação dos mosquitos com a bactéria Wolbachia, estratégia voltada ao controle e à prevenção da dengue em 21 bairros do município. A ação é operada pela Wolbito do Brasil e conduzida pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), em parceria com o Ministério da Saúde. Os insetos são Aedes aegypti que carregam a Wolbachia, bactéria naturalmente presente em mais da metade dos insetos da natureza e que impede o desenvolvimento dos vírus da dengue, zika e chikungunya no organismo do mosquito.

A liberação gradual está prevista para ocorrer ao longo de 26 semanas, com solturas realizadas semanalmente por agentes previamente treinados e capacitados. São 885 pontos distribuídos em bairros como Silvino, Bandeirantes, Riviera I, Montecatini, Novo Bandeirantes I e Santo Amaro I, entre outros. Os mosquitos adultos são distribuídos por veículos em rotas definidas, utilizando equipamentos próprios. Cambé conta com apoio de um núcleo de produção em Londrina, com estrutura para o desenvolvimento dos Wolbitos da fase de ovo até a fase adulta antes da liberação em campo.

Junto à liberação, ocorre o monitoramento por meio de ovitrampas, que medem o estabelecimento da Wolbachia em campo. A expectativa é que a presença da bactéria aumente de forma autosustentável no município ao longo dos meses. Estudos mostram que, mesmo após oito anos das primeiras liberações, os mosquitos mantêm a bactéria de forma estável na população, transmitindo-a para as gerações seguintes. Em Niterói, onde todo o território foi coberto pela tecnologia, houve redução de 89% nos casos de dengue.

Antes do início das liberações, houve uma etapa de engajamento comunitário, que incluiu panfletagem nas casas, espaços comunitários e escolas, além de ações em redes sociais. Agentes da Prefeitura capacitados explicaram a tecnologia e o funcionamento do método à população. O prefeito Conrado Scheller avaliou que a tecnologia é bem-vinda para melhorar a qualidade de vida e afirmou que o município se torna campo de desenvolvimento e execução de novas tecnologias. Ele também pediu que a população continue limpando quintais e conversando com vizinhos.

O gerente de implementação da Wolbito do Brasil, Gabriel Sylvestre, explicou que a colaboração das pessoas na eliminação do mosquito e de possíveis criadouros é necessária, e que quem mata o Aedes aegypti também contribui para o método. A expectativa é que a ação proteja mais de 34 mil pessoas. O método está presente em 16 cidades no Brasil e protege mais de 8 milhões de pessoas. A expansão da tecnologia compreende dezenas de outros municípios indicados pelo Ministério da Saúde, como Ribeirão Preto, Araraquara e São José do Rio Preto (SP), Contagem (MG), Foz do Iguaçu e Cascavel (PR), Anápolis, Aparecida de Goiânia e Trindade (GO), Olinda (PE) e Rio Branco (AC).

Compartilhar: