Eventos geram R$ 38,1 bi e 50 mil empregos no Brasil no 1º trimestre de 2026
Presidente da ABRAPE analisa como festivais e festejos juninos do Norte e Nordeste distribuem renda, fortalecem identidades e ativam cadeias produtivas locais
Resumo da matéria
O presidente da ABRAPE, Doreni Caramori Júnior, analisa como eventos culturais e populares do Norte e Nordeste funcionam como vetores de desenvolvimento econômico descentralizado. Os dados do Radar Econômico da entidade mostram que o hub setorial gerou mais de 50 mil empregos formais e o consumo ligado ao segmento atingiu R$ 38,1 bilhões no primeiro trimestre de 2026, crescimento de 9,7% na comparação anual. O Festival de Parintins movimentou R$ 180 milhões em três dias em 2025.
Festivais, festejos juninos e celebrações religiosas fazem pelo Norte e Nordeste o que poucos instrumentos de política econômica conseguem: distribuir renda de forma descentralizada, ativando hotéis, restaurantes, transportadoras e pequenos negócios em municípios distantes dos grandes centros. É a análise de Doreni Caramori Júnior, empresário e presidente da Associação Brasileira dos Promotores de Eventos (ABRAPE), respaldada pelos dados mais recentes do Radar Econômico da entidade: no primeiro trimestre de 2026, o hub setorial — formado por 52 atividades impactadas indiretamente pelos eventos — gerou saldo superior a 50 mil empregos formais, enquanto o consumo ligado ao segmento atingiu R$ 38,1 bilhões, crescimento de 9,7% na comparação anual.
O Festival Folclórico de Parintins, no Amazonas, é o exemplo mais contundente dessa capacidade. Reconhecido como Patrimônio Cultural do Brasil, o evento movimentou cerca de R$ 180 milhões na economia local em apenas três dias na edição de 2025, segundo estimativa da Empresa Estadual de Turismo do Amazonas (Amazonastur). Uma pesquisa da Serasa em parceria com o instituto Opinion Box revelou que 46% dos entrevistados pretendem trabalhar durante o festival deste ano para complementar a renda. Entre eles, 56% estimam ganhos superiores a R$ 1 mil e 53% acreditam que terão aumento acima de 40% na renda mensal.
A agenda do Norte inclui ainda a Ecotrilha de Ananindeua, no Pará, que estimula o turismo de natureza; o Arraiá Ariquemes, em Rondônia, que reúne milhares de participantes em torno da cultura popular e das quadrilhas juninas; e as festividades em homenagem a Santo Antônio, em Nhamundá, que movimentam o turismo religioso local.
No Nordeste, o São João de Campina Grande, na Paraíba, é referência do impacto descentralizador: mais de um mês de programação que aquece hotéis, restaurantes, transportadoras e trabalhadores autônomos de toda a região. O Forró Caju, em Aracaju, fortalece o turismo em Sergipe. Na Bahia, o São João de Lençóis, a Cavalgada e a Festa do Cacau, em Piraí do Norte, preservam manifestações ligadas à identidade do interior nordestino e conectam cultura à valorização da produção regional.
Os números nacionais do setor reforçam a escala do fenômeno. No primeiro trimestre de 2026, o core business dos eventos registrou saldo positivo superior a 3,1 mil empregos diretos e abertura líquida de mais de 11 mil novos CNPJs. O hub setorial contabilizou mais de 87 mil novas empresas no mesmo período. Para cada vaga gerada diretamente pelo setor, as atividades associadas avançaram em cerca de 16 postos de trabalho — cadeia que vai de bares e hospedagem a infraestrutura, segurança privada, logística e publicidade.