Saúde

Casos de Parkinson podem mais que dobrar até 2050; veja sinais e como retardar a doença

Os tremores não são o único sintoma e a atividade física é o melhor remédio para frear a progressão neurológica, explica especialista

Equipe Corrivus
Publicado em 31/05/2026, às 22h26

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Resumo da matéria

A doença de Parkinson afeta cerca de 10 milhões de pessoas no mundo e pode mais que dobrar até 2050, chegando a 25,2 milhões, segundo dados da revista The BMJ. O neurologista José Guilherme Schwam Jr, especialista em Parkinson e demências que atende no Complexo Clínico Órion Business, explica os sinais não motores que podem aparecer anos antes dos tremores, o papel do exercício físico como principal ferramenta para retardar a progressão da doença e a importância do diagnóstico precoce.

Casos de Parkinson podem mais que dobrar até 2050; veja sinais e como retardar a doença

Neurologista alerta para sinais não motores do Parkinson e destaca o exercício físico como principal ferramenta para retardar a progressão da doença Crédito: FreePik

Estima-se que cerca de 10 milhões de pessoas no mundo vivam com Parkinson hoje. Segundo dados da revista científica The BMJ, esse número pode mais que dobrar até 2050, chegando a 25,2 milhões — um crescimento de 112%. A escalada acompanha o envelhecimento da população, já que a idade é o principal fator de risco da doença, que atinge majoritariamente pessoas acima dos 65 anos. Ainda assim, o chamado Parkinson de início precoce pode afetar pacientes na faixa dos 50, 40 anos ou ainda mais jovens.

O neurologista José Guilherme Schwam Jr, especialista em Parkinson e demências e que atende no Complexo Clínico Órion Business, tem pacientes que desenvolveram a doença aos 30, 40 e 50 anos. Além da idade, trabalhadores rurais expostos a agrotóxicos também apresentam maior prevalência. Para o médico, a difusão de informações e o avanço da ciência contribuem para o aumento dos diagnósticos. 'Quanto mais falarmos sobre a doença, quanto mais nos conscientizamos, mais informações levamos à população, mais as pessoas irão procurar o profissional adequado para investigação de doenças como o Parkinson. Em contrapartida, os colegas médicos, principalmente os neurologistas, também têm se capacitado cada vez mais no diagnóstico precoce, melhorando as perspectivas de qualidade de vida aos pacientes', afirma.

Os tremores nas mãos são o sinal mais associado ao Parkinson no imaginário popular, mas a doença costuma se anunciar de forma silenciosa muito antes de afetar a coordenação motora. 'Os sinais motores clássicos envolvem os tremores em repouso, que está presente em 70% dos pacientes, a lentidão para realizar movimentos do dia a dia e a rigidez muscular. Diminuição do olfato, intestino muito preso, depressão e distúrbios do sono como se debater violentamente durante os sonhos são sinais de alerta importantes', destaca o médico José Guilherme Schwam Jr.

Não existe cura definitiva para o Parkinson nem uma forma 100% eficaz de prevenir seu aparecimento. Mas a ciência já comprovou que é possível retardar significativamente sua progressão. 'Hoje sabemos que a principal forma de retardar a progressão motora da doença é o exercício físico. Uma atividade física regular e com intensidade adequada tem um efeito neuroprotetor importante. Ela ajuda, de forma comprovada, a diminuir o risco de quedas, limitações motoras, dores difusas, inerentes à evolução do Parkinson e, junto com a medicação correta, é o que vai garantir a qualidade de vida, a independência e a autonomia do paciente por muitos anos', conclui o neurologista. Uma dieta balanceada e o cuidado com a saúde cardiovascular e metabólica também fazem diferença, acrescenta o médico.

O diagnóstico precoce continua sendo a melhor ferramenta disponível. Ao perceber qualquer lentidão incomum ou tremores recorrentes, a recomendação é buscar a avaliação de um neurologista para iniciar o tratamento o quanto antes.

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