Uece faz teste inédito com biocarvão de coco e carvão mineral no Ceará
Ensaio no Complexo Termelétrico Pecém utilizou mistura de biocarvão produzido a partir de casca de coco verde com carvão mineral.
Resumo da matéria
A Universidade Estadual do Ceará (Uece), em parceria com a UTE Energia Pecém, realizou na última quarta-feira (14) um teste inédito de co-combustão no Complexo Termelétrico Pecém, no Ceará. O ensaio utilizou uma mistura de biocarvão de casca de coco verde com carvão mineral. A atividade integra o Projeto Carvão Híbrido, que busca desenvolver soluções que possam ser incorporadas à infraestrutura industrial existente.
Projeto Carvão Híbrido transforma casca de coco verde em biocarvão com potencial de aplicação energética. Crédito: Ascom Uece
A Universidade Estadual do Ceará (Uece), em parceria com a Usina Termelétrica (UTE) Energia Pecém, do Grupo Diamante Energia, realizou na última quarta-feira (14) um teste inédito de co-combustão no Complexo Termelétrico Pecém, no Ceará. O ensaio utilizou um combustível sólido desenvolvido a partir da mistura de biocarvão, produzido pela queima da casca de coco verde, com carvão mineral.
A atividade integra o Projeto Carvão Híbrido, desenvolvido no âmbito do Programa de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PDI) da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL). A proposta transforma a casca de coco verde, resíduo agroindustrial abundante no Ceará, em biocarvão com potencial de aplicação energética.
No âmbito do projeto, foram processadas mais de 19 toneladas de casca de coco verde, que resultaram em mais de seis toneladas de pellets. Esse material foi utilizado para obter aproximadamente 1,5 tonelada de biocarvão.
A mistura de biocarvão com carvão mineral representa uma alternativa tecnológica para reduzir parcialmente a dependência de combustíveis fósseis, promover a economia circular e contribuir para a descarbonização industrial. A iniciativa busca desenvolver soluções que possam ser incorporadas à infraestrutura industrial existente, mantendo a confiabilidade dos processos de geração de energia.
Os resultados técnicos e ambientais do ensaio são fundamentais para avaliar o desempenho do combustível, a viabilidade operacional e o potencial de redução da pegada de carbono da geração termelétrica. Como essa geração constitui uma importante fonte de energia no contexto da segurança energética, o projeto busca conciliar segurança energética, eficiência operacional e sustentabilidade.
A Uece participou da parceria para o teste por meio do Laboratório de Conversão Energética (LCE/LAIS), coordenado pela professora Mona Lisa Moura, também coordenadora do projeto na universidade. Para ela, a iniciativa representa um avanço tecnológico importante para a pesquisa aplicada, a inovação e a descarbonização industrial no Ceará. Os testes em ambiente industrial correspondem ao nível de maturidade tecnológica TRL 6.
O Projeto Carvão Híbrido envolve, direta e indiretamente, mais de 40 profissionais e estudantes. Reúne professores e pesquisadores da Uece, da Universidade Federal do Ceará (UFC), da Universidade de Fortaleza (Unifor) e da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), com atuação em diferentes áreas do conhecimento, como Engenharia, Química e Energia.
Também participam alunos dos programas de pós-graduação em Ciências Naturais e em Ciências Físicas Aplicadas da Uece, além de graduandos dos cursos de Física, Química e Ciência da Computação.
Na avaliação de Mona Lisa Moura, a atividade simboliza a integração entre universidade, ciência, tecnologia e setor produtivo, ao reunir pesquisadores, estudantes, engenheiros, técnicos e profissionais comprometidos com soluções energéticas inovadoras.