Botão Lilás pode ser acionado por QR Code em 26 totens do BRT de Salvador
Vítimas e testemunhas podem pedir ajuda pelo WhatsApp (71) 98791-3420; se necessário, a Guarda Civil Municipal pode enviar uma equipe.
Resumo da matéria
A Prefeitura de Salvador ampliou o acesso ao Botão Lilás com 26 totens nas estações do BRT. A leitura dos QR Codes pela câmera do celular leva ao WhatsApp (71) 98791-3420, sem necessidade de intermediação de funcionários. O canal atende mulheres vítimas de violência e oferece atendimento inicial por chatbot. Profissionais das estações foram capacitados para orientar e apoiar usuárias com dificuldades de acesso.
Botão Lilás pode ser acessado por QR Codes em 26 totens instalados nas estações do BRT de Salvador. Crédito: Jefferson Peixoto/Secom Salvador
A Prefeitura de Salvador ampliou o acesso ao Botão Lilás, canal de atendimento a mulheres vítimas de violência, com 26 totens instalados nas estações do BRT. A ferramenta permite que usuárias do transporte peçam ajuda em situações de perigo ou violência durante o deslocamento.
A iniciativa é uma parceria entre a Secretaria Municipal de Políticas para Mulheres, Infância e Juventude (SPMJ) e a Secretaria Municipal de Mobilidade (Semob). Desenvolvido pela prefeitura, o serviço funciona pelo WhatsApp e pode ser acessado por meio da leitura dos QR Codes disponíveis nos totens.
Para utilizar o canal, basta apontar a câmera do celular para o código. A leitura direciona a pessoa ao WhatsApp do serviço, no número (71) 98791-3420. O acesso é autônomo, sem necessidade de intermediação de funcionários da Socicam, responsável pela administração das estações, ou de outros profissionais do local.
Os profissionais das estações foram capacitados para orientar sobre o serviço e apoiar usuárias que tenham dificuldades de acesso ou de utilização. Segundo a secretária da SPMJ, Fernanda Lordelo, a disponibilização do Botão Lilás nas estações amplia o alcance da ferramenta e facilita o acesso das mulheres a informações, orientações e canais de ajuda em situações de violência.
A secretária afirmou que a prefeitura pretende aproximar as mulheres das informações e dos caminhos para buscar ajuda, com um recurso simples e acessível pelo celular e apoio para que não se sintam sozinhas.
Conforme explicou Géssica Reis, coordenadora da Patrulha Guardiã Maria da Penha, o atendimento inicial ocorre por chatbot no WhatsApp da Prefeitura. Nesse contato, a pessoa pode consultar a carta de serviços ou pedir ajuda. A própria vítima ou qualquer pessoa, homem ou mulher, que esteja presenciando uma situação de violência pode informar o que está acontecendo e solicitar uma viatura pelo Botão Lilás.
Durante o acionamento, o sistema pergunta se há necessidade de envio imediato de uma equipe. Se houver, a ocorrência é direcionada à Central de Operações da Guarda Civil Municipal (GCM). Após esse encaminhamento, um profissional capacitado substitui o atendimento automatizado e coleta informações sobre a situação e a localização da ocorrência.
A pessoa também pode compartilhar a localização durante o atendimento, facilitando a identificação do local e o deslocamento das equipes quando necessária a intervenção. Com base nas informações fornecidas, a GCM identifica a viatura mais próxima e pode deslocar uma equipe. Os dados são repassados ao comandante da guarnição, permitindo que os agentes cheguem com informações prévias sobre a situação relatada.
Caso o agressor seja localizado, ele pode ser encaminhado a uma delegacia para registro da ocorrência e adoção das medidas cabíveis pela Polícia Civil. Em Salvador, os casos podem ser apresentados a unidades especializadas, incluindo a instalada na Casa da Mulher Brasileira e as Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (Deam) de Brotas e Periperi.
Funcionária do BRT na Estação Hiper, Renilda Santos do Carmo, de 38 anos, relatou que ainda não precisou auxiliar diretamente uma vítima de violência, mas que passageiros já procuram os profissionais do local para obter informações sobre o Botão Lilás. Ela considera a ferramenta uma proteção adicional para si e para outras pessoas, inclusive amigas e parentes, diante da possibilidade de precisarem de ajuda.
A balconista Jaqueline Leite, de 38 anos, moradora do Engenho Velho de Brotas, utiliza o BRT principalmente quando precisa fazer integração com outros meios de transporte. Na avaliação dela, a ampliação do acesso nas estações reforça a proteção das passageiras, por considerar que as mulheres estão vulneráveis a assédio e violência física, sobretudo nos transportes. Jaqueline relatou que nunca sofreu violência dentro do transporte público, mas já foi vítima enquanto aguardava em um ponto de ônibus.